Imagens

 

 

Diante de tal matéria, qual dos lados estaria com a razão? Estaria a Igreja Católica infringindo o Mandamento de Ex 20,4 ou estaria a Igreja aplicando-o conforme a vontade de Deus? Este artigo visa, especificamente, esclarecer tal questão, tomando como base as dezenas de perguntas que já respondi, principalmente aquelas formuladas por nossos irmãos separados.

IMAGEM

Antes de mais nada, convém explicar o que é uma imagem.

A imagem é muito mais do que uma simples escultura: na verdade é qualquer coisa que permite excitar a nossa vista, pouco importando se é uma escultura, um desenho, uma pintura, um objeto. Até mesmo os dicionários não religiosos são unânimes em afirmar que a imagem é a representação de um objeto pelo desenho, pintura, escultura, etc. Logo, uma pintura de Michelangelo é uma imagem da mesma forma que o desenho do tio Patinhas e o busto do Duque de Caxias também o são, de modo que não importa se a imagem está em “segunda dimensão” (podendo ser representada num plano x-y) ou em “terceira dimensão” (representada no plano x-y-z), mas que ela excite a vista e, por consequência, a imaginação, que é a capacidade de conceber abstratamente aquilo que é concreto, real.

Desta forma, uma imagem – principalmente a imagem religiosa – encerra um sentido muito mais profundo do que o próprio objeto. Ela, sem precisar – necessariamente – fazer uso da palavra, consegue falar e sensibilizar as pessoas com muito mais facilidade que ótimos oradores, pois carrega uma linguagem própria que nem sempre precisa excitar nossos ouvidos. É inegável o poder de persuasão da imagem: a TV (imagem) não suplantou o rádio (palavra)? São Paulo não se converteu ao Evangelho graças à visão resplandescente de Cristo no caminho de Damasco? Quantos homens também não se converteram por um simples olhar para uma imagem ou crucifixo mudos no interior de uma igreja? Até mesmo a Bíblia afirma que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26-27). Vemos, assim, que o velho ditado “uma imagem vale mais do que mil palavras” é mais do que verdadeiro: é uma realidade.

ÍDOLO

Ídolo não é – e jamais foi! – sinônimo de imagem. Ambos são distintos e inconfundíveis…

Ao contrário da imagem, que excita a vista, o ídolo é aquilo que substitui o único e verdadeiro Deus. Um bom exemplo, que confirma a nossa tese, é o episódio do bezerro de ouro narrado em Ex 32: como Moisés demorava para descer do Monte Sinai, os hebreus fugitivos do Egito não tardaram a confeccionar um bezerro em ouro, a quem cultuaram como se fosse o verdadeiro Deus.

“O povo reuniu-se em torno de Aarão e lhe disse: ‘Vamos! Faze-nos deuses que caminhem à nossa frente…’. Aarão lhes disse: ‘Tirai os brincos de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas, e trazei-os a mim’. […] Recebendo o ouro, ele o moldou com o cinzel e fez um bezerro fundido. Então eles disseram: ‘Aí tens, Israel, os deuses que te fizeram sair do Egito!’ […] Levantando-se na manhã seguinte, ofereceram holocaustos e apresentaram sacrifícios pacíficos” (Ex 32,1b-2.4.6a).

Esses versículos permitem-nos distinguir os elementos que caracterizam o ídolo:

·  Confunde-se com o verdadeiro e único Deus.

·  São-lhe atribuídos poderes exclusivamente divinos.

·  São-lhe oferecidos sacrifícios devidos ao verdadeiro Deus.

Percebamos bem como o milagre da fuga do Egito foi atribuído ao objeto que tinha a imagem de um bezerro de ouro. Notemos também como esse bezerro passa a substituir o verdadeiro e único Deus assim como também lhe são oferecidos sacrifícios devidos a Deus.

Observando isto com muito cuidado e sem preconceitos, podemos reparar que o culto prestado ao bezerro de ouro bem como a proibição bíclica de confeccionar imagens de ídolos não podem ser confundidos contra as imagens cristãs, uma vez que falta-lhes os elementos que as constituam como ídolos: quando a Igreja Católica afirmou que devemos adorar as imagens dos santos? Quando a Igreja atribui-lhes poderes de salvar a humanidade do pecado ou conferiu-lhes título de todas-poderosas? Quando a Igreja prestou-lhes culto de adoração?

Vemos, assim, que a imagem não implica na superstição como obriga o ídolo, que substitui Deus atribuindo ao objeto ou à coisa imaterial poderes que ele por si só não possui. A imagem é um objeto que lembra algo fora dele; o ídolo é o ser em si mesmo. A quebra de uma imagem não destrói o ser que representa; já a destruição de um ídolo implica da destruição da falsa divindade.

LATRIA x DULIA

Uma vez apresentadas as diferenças entre imagem e ídolo, faz-nos necessário situá-los em seu verdadeiro contexto religioso, isto é, demonstrar o respeito que cabe a cada um deles.

Para isto, precisamos distinguir entre latria e dulia. Antes, porém, gostaria de observar que, oportunamente, pretendo disponibilizar um artigo onde são estudadas mais profundamente as diferenças entre os dois tipos de conceito. Para o momento, entretanto, basta mencionar a diferença básica.

 

·  Latria: significa adoração e é o culto devido exclusivamente ao verdadeiro e único Deus, nosso Criador e Salvador. Na adoração, reconhecemos Deus como Todo-Poderoso e Senhor do universo.

·  Dulia: significa homenagem, veneração. São dignas de veneração, no campo religioso, os santos e todas as criaturas que, neste mundo, fizeram e fazem a vontade do Pai, por se tornarem nossos modelos de fé e caSanta Teresa d'Ávilaridade.

Uma visão clara sobre o assunto pode ser retirada de um antigo manual de religião publicado em 1858 em Portugal:

“Cumpre venerar (=dulia) todos os Sanctos que estão no céo, como a servos e amigos de Deus; porem invocando-os e venerando-os(=dulia), não os adoramos (=latria), e fazemos sempre grande differença entre Deus e as creaturas. Rogando aos Sanctos não os olhamos nem consideramos senão como nossos intercessores para com Jesu-Christo, que é o Medianeiro que nos remio com seu sangue, e por quem podemos sêr ouvidos e alcançar a salvação” (Manual Portuguez, ed. d’Aguiar Vianna, Lisboa, Portugal, 1858, pág. 17).

Tal texto é muito interessante porque explica em poucas linhas, mas com grandes detalhes a diferença básica entre adoração/latria e veneração/dulia: a primeira é destinada ao Criador, a segunda – bem inferior à primeira – às criaturas servas e amigas de Deus. Adoramos a Deus porque Ele é todo-poderoso e nosso Salvador; veneramos os santos – representados nas imagens – porque seus exemplos de vida nos apontam para o verdadeiro caminho: Jesus Cristo (cf. Jo 14,6), único Mediador e Redentor da humanidade.

Assim, se passarmos a adorar uma criatura (seja ela criatura de Deus ou criatura do próprio homem) estaremos cometendo o pecado da idolatria, severamente punido por Deus. Um bom exemplo disto são as pessoas que atribuem todo poder ao dinheiro, acreditando que ele pode com tudo neste mundo: um caso não muito raro de idolatria nos dias de hoje!

 

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NABETO, Carlos Martins. Apostolado Veritatis Splendor: A BÍBLIA CONDENA O USO DE IMAGENS? DEUS PERMITE A FABRICAÇÃO DE IMAGENS?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4478. Desde 02/08/1999.

 

Uma das maiores disputas entre católicos e protestantes é, sem dúvida alguma, quanto ao uso das imagens sagradas na Igreja de Deus. Desde o princípio, a Igreja Católica sempre defendeu seu uso, ao contrário da esmagadora maioria das igrejas protestantes que preferem encarar o problema como um insulto ao Mandamento divino que proíbe confeccionar imagens (Ex 20,4). Não raro, costumam a chamar os católicos de

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